14 outubro 2009

O Poder da Caverna.




I Samuel 22.1-5

Lendo os capítulos anteriores, percebemos a trajetória de Davi. Ele era estimado por todas as pessoas, só vivia no palácio, sempre rodeado das pessoas mais nobres da sociedade e tendo contato com os sábios, os ricos e poderosos. Era também casado com a filha do rei de Israel. Mas, de repente, ele perde tudo isso. Davi perdeu todas as “muletas” que podia usar e nas quais podia querer confiar: o emprego e a posição no palácio, a esposa, o contato com o líder espiritual, o amigo e o amor próprio.

E agora, Davi está em uma caverna. Ele está sozinho, vive em uma caverna escura e sem conforto. Não tem mais qualquer privilégio na sociedade; não tem mais regalias ou salário; é alguém perseguido e desprezado, vivendo em constante perigo de vida, dependendo apenas de Deus.

Nesse lugar, dentro da caverna, Davi reconhece a fragilidade da sua vida e a necessidade de depender ainda mais de Deus. O salmo 142 registra esse momento da vida de Davi. O texto é uma oração (um exercício espiritual é escrever as orações). No versículo 4, ele se via perseguido e sem que ninguém o reconhecesse; no versículo 6, ele se via muito fraco (hebraico, ‘dalal’: palavra que se refere a alguém das classes mais pobres de Israel). Predomina a idéia de privação de bens materiais e de poder social.

Ainda que não voluntariamente, Davi foi levado a se identificar com o grupo mais marginalizado de Israel, aqueles que não ocupavam o palácio dos reis, que não eram em si mesmos poderosos, mas necessitados de ajuda. Era o grupo dos excluídos, fracos, endividados, amargurados de espírito, perseguidos; daqueles que não tinham vez dentro de Israel.

Maravilhosamente, Deus levou Davi a sair do palácio, do grupo daqueles que eram aparentemente fortes, para ir para uma caverna para se identificar com aqueles que eram reconhecidamente fracos. E isso desencadeou um processo na vida de Davi. Tão logo houve essa identificação, as pessoas começaram a se aproximar dele. Primeiro foram os seus pais e seus irmãos (I Samuel 22.1); depois foram todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito (I Samuel 22.2). Talvez os piores homens de todo o Israel. Foi apenas Davi não estar mais naquele lugar alto, inatingível para as pessoas, e ir para um lugar onde as pessoas podiam alcançá-lo, que as pessoas logo se aproximaram dele. Aproximaram-se dele exatamente as pessoas que às vezes o viam com presunção e maldade (I Samuel 17.28).

A caverna, para Davi, foi o lugar da identificação. O mesmo aconteceu com Jesus, que viveu essa mesma experiência para que as pessoas fossem alcançadas. Ele lhes via a necessidade (Filipenses 2.5-11). As pessoas precisam ser alcançadas. Elas estão vivendo em amargura, em desespero, em dor. E isso só acontecerá se houver identificação, se você for ao lugar onde a pessoa está. Isso só acontecerá quando a pessoa perceber que você não está em um lugar mais alto do que ela, quando você entrar na caverna com a pessoa, se identificar com a sua dor, suas lutas, quando tiver compaixão das suas fraquezas. Quando você for onde ela estiver e quando sentir-se como ela se sente, você então poderá ajudá-la.

Ninguém está atrás de discursos, palavras, críticas ou sermões. As pessoas estão atrás de compaixão. Elas estão à procura da graça. O mundo tem sede da graça.


Abração a todos


Célio

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