17 novembro 2010

Paquistão: Cristãos denunciam perseguição religiosa

Uma mulher cristã foi condenada à morte, no Paquistão, por alegadamente ter blasfemado contra o Islão.

Asia Bibi, de 45 anos, estava na prisão desde Junho de 2009, depois de ter sido acusada, no seu trabalho, de ter falado contra Maomé.

"Os cristãos estão sob ataque, através do uso instrumental da lei anti-blasfémia. Este tipo de acusações têm-se sucedido e estamos muito preocupados” refere Peter Jacob, secretário executivo da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Conferência Episcopal do Paquistão, em declarações à agência FIDES.

A lei da blasfémia, já condenada internacionalmente, visa ofensas ao Islão e tem sido frequentemente usada, naquele país, contra cristãos e fiéis de outras religiões que não a muçulmana.

“Trata-se de um autêntico atentando à dignidade humana e à verdade” sublinha Jacob, garantindo “tudo ir fazer para que o veredicto seja revogado e anulado, através de apelo”.

De acordo com os dados da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Conferência Episcopal do Paquistão, só nos últimos dois meses já se registaram cinco casos de acusações de blasfémia, dirigidas pela comunidade muçulmana a elementos de religião cristã.

Asia Bibi, 45 anos, foi acusada de blasfémia e condenada à morte

A sentença contra Asia Bibi, mãe de cinco filhos, foi divulgada na última semana por um tribunal de Nankana, a cerca de 75 quilómetros de Lahore, capital cultural do país.

Para o bispo de Islamabad, Rufin Anthony, trata-se de uma “verdadeira vergonha”, apelando ao fim da lei contra a blasfémia, no Paquistão.
O caso remonta a Junho de 2009, quando mulheres muçulmanas que trabalhavam com Asia Bibi foram ver um responsável religioso e acusaram a cristã de proferir blasfémias contra o profeta Maomé.

Várias ONG’s do Paquistão estão a recolher assinaturas para revogar a condenação à morte, juntando-se a instituições católicas.

O observatório para a liberdade religiosa no mundo da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) afirma a respeito do Paquistão que "o pior instrumento de repressão religiosa é a lei da blasfémia, a qual continua a causar cada vez mais vítimas".

Esta lei refere-se na realidade ao Artigo 295, B e C, do Código Penal paquistanês. A secção B refere-se a ofensas contra o Alcorão que são puníveis com prisão perpétua; a secção C refere-se a actos que enxovalham o profeta Maomé, puníveis com prisão perpétua ou com a morte.

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