24 outubro 2009

O Ministério Pastoral na Pós-Modernidade




O ministério pastoral é um dos temas mais relevantes para a Igreja Cristã. Em primeiro lugar, porque o pastor é quem conduz o rebanho de Deus, segundo a Sua vontade. Em segundo lugar, porque é o pastor o responsável por alimentar este rebanho para que ele cresça forte e sadio. Em terceiro lugar, porque o pastor é aquele foi chamado por Deus para assistir ao rebanho em todas as suas tribulações.





Além disso, devido a inúmeros escândalos nos últimos tempos, o ofício pastoral tem tido sua excelência questionada fora e até mesmo dentro da Igreja. É necessário, portanto, refletir sobre a relevância deste ministério e propor caminhos para resgatar o seu valor e a sua importância para o contexto atual e não somente dentro da Igreja, mas também na proclamação à sociedade em geral.


1. Desafios pós-modernos à Igreja e ao ministério pastoral


A Igreja precisa compreender quais são os maiores desafios que se levantam diante dela nestes tempos. Tempos em que os referenciais estão cada vez mais flexíveis e os fundamentos cada vez mais frágeis. Nas palavras de Ricardo Gondim:

Começamos o século XX com o apogeu da modernidade, terminamo-lo com o nascimento da pós-modernidade. Se a modernidade foi a época da lógica e do método, a pós-modernidade é marcada por ambigüidades e contradições. (GONDIM, Ricardo. Artesãos de uma Nova História. p. 87)


Por identificar-se em oposição e superação ao modernismo e também por estar em pleno processo de desenvolvimento, não é fácil determinar com segurança as características do pós-modernismo. Todavia, pode-se perceber que ele é a negação de diversos valores e pensamentos que dominaram a cultura moderna. Citando Ihab Hassan, Veith Jr. propõe uma série de antíteses entre o modernismo e o pós-modernismo:


Os modernistas crêem em determinância, os pós-modernistas crêem em indeterminância. Onde o modernismo dá ênfase à finalidade e ao projeto, o pós-modernismo enfatiza o jogo e o acaso. O modernismo estabelece uma hierarquia, o pós-modernismo cultiva a anarquia. O modernismo valoriza o tipo; o pós-modernismo valoriza o mutante. O modernismo busca o logos, o significado subjacente ao universo expresso na linguagem. O pós-modernismo, por outro lado, acolhe o silêncio, rejeitando os dois, o significado e a Palavra. (VEITH, Jr, Gene Edward. Tempos Pós-Modernos. p. 36-37)


Assim, para o pós-modernismo a realidade é uma construção social e evita-se o discurso absolutizante, rejeitando as bases de pensamento e os fundamentos da era imediatamente anterior. Assim, a pós-modernidade é caracterizada pela ausência de princípios e valores claros. E, neste sentido, desta vez citando o historiador Arnold Toynbee, Veith Jr. identifica em uma tríplice divisão os sentimentos gerados no pós-modernismo como sendo uma fase dominada por “ansiedade, irracionalismo e desamparo” (Cf. VEITH, Jr, Gene Edward. Tempos Pós-Modernos. p. 38). A partir desta tríplice divisão, serão analisados os riscos e perigos que os tempos atuais podem trazer ao bom exercício da Excelência do Ministério Pastoral.


A primeira característica no mundo pós-moderno é a ansiedade. Ela é resultado da multiplicidade de escolhas de um mundo plural e onde não se tem parâmetros claros de verdade para direcionar estas escolhas. Um dos mais importantes pensadores do existencialismo, corrente que está no pós-modernismo, Jean-Paul Sartre, fala de uma ânsia característica desta situação em que o homem se encontra.


A segunda característica do pós-modernismo, é o irracionalismo. Com sua crítica ao modelo racionalista da modernidade, o mundo pós-moderno é tem como uma de suas expressões mais marcantes o irracionalismo. Veith Jr. afirma que:


As heresias modernistas caíram, mas agora heresias pós-modernas as substituem. O racionalismo, tendo fracassado, cede lugar ao irracionalismo – e ambos são hostis à revelação de Deus, ainda que de maneiras diferentes. Os modernistas não criam que a Bíblia fosse verdadeira. Os pós-modernistas lançaram fora completamente a categoria de verdade. Fazendo isso, já abriram uma caixa de Pandora de religiões da Nova Era, sincretismo e caos moral. (VEITH, Jr, Gene Edward. Tempos Pós-Modernos. p. 186s)


Assim, não existem parâmetros absolutos, modelos universais ou paradigmas unívocos. Assim, neste pluralismo levado ao extremo, Ricardo Gondim lembra que “a cosmovisão religiosa não pode ser imposta, ela participa da sociedade como mais uma opção entre muitas” (GONDIM, Ricardo. Fim de Milênio: os perigos e desafios da Pós-Modernidade na Igreja. p. 71).


A terceira característica da pós-modernidade apontada é o desamparo. Este desamparo, também oriundo da falta de parâmetros claros de verdade se desenvolve no exacerbado sentimento de isolamento, no individualismo. O individualismo é um dos traços mais marcantes da modernidade, no período do pós-guerra. Vivemos em uma época de exacerbado individualismo. O bem-estar pessoal é colocado acima do bem comum. Os interesses individuais estão acima dos direitos sociais.


Estas três características se constituem num grande desafio pós-moderno à excelência do Ministério Pastoral para os dias atuais. Pena que a grande maioria dos pastores não enxergam isso.


Graça e Paz...



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