30 dezembro 2011

CANCEI DE PECAR

O cansaço é algo que se manifesta quando você já chegou no seu limite. Seja num esforço físico, quando o acúmulo de ácido lático anula a capacidade dos seus músculos, seja num esforço mental, quando sua concentração vai embora de tanto focar o pensamento. Pois eu cansei. Cansei de pecar. Sei que é utópico o que vou dizer, mas cheguei ao meu limite na minha capacidade de suportar os meus pecados. Não tem jeito, eu sei, vou continuar pecando pelos séculos dos séculos. Mas estou farto de pecar. Não quero mais. Quero viver uma vida santa, como Deus planejou para a sua Igreja. Quero manifestar o fruto do Espírito e não viver as obras da carne.
Lembro-me de uma corredora de maratona (foto) que no dia 5 de agosto de 1984, nas Olimpíadas de Los Angeles, entrou no estádio completamente torta, praticamente sem coordenação motora, mas disposta a ir até a linha de chegada. Ela queria muito chegar, embora estivesse cansadésima. Eu me sinto um pouco assim. Estou torto, sem cordenação motora de tanto pecado acumulado nos meus músculos, mas quero chegar na linha de chegada nem que seja cambaleando. Quero tomar a minha cruz e seguir Jesus. Mas há essa força terrível chamada “pecado” que me faz largar minha cruz toda hora e tomar atalhos que me afastam de Cristo. Só que estou farto desse peca-arrepende-peca-peca-arrepende-peca-arrepende-peca-arrepende. Estou farto de falar como Paulo em Rm 7.19: “Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.” Chega, não quero mais ter que dizer isso. Sei que existe uma grande acomodação da parte dos cristãos, “ah, eu sou pecador mesmo, todo mundo peca, então pecar faz parte”. Mas eu queria ter a fórmula mágica para não me conformar com isso.
Sei que todos pecamos. Sei que somos 100% dependentes da graça de Deus. Sei que não alcançamos a remissão dos pecados sem a ação sobrenatural do Espirito Santo. Sei que não tenho nenhum mérito em mim. Sei que sem Cristo nada posso fazer (Jo 15.5). Sei que sou totalmente depravado. Quanto a isso não há dúvidas. O problema não é esse. O problema é que a postura de se conformar com o pecado é tão extremA que beira o empavonamento. Nós acabamos percebendo com tanta clareza nossa natureza pecaminosa que acabamos não fazendo nenhum esforço para fugir do pecado. Já que é impossível deixar de pecar, para que tentar? E, assim, acabamos lançando sobre a graça de Deus a responsabilidade sobre todos os nossos erros. “Sou pecador sim, graças a Deus!”, parecemos dizer. A Biblia diz “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2) . O próprio apóstolo Pedro nos admoesta, “Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância” (1 Pe 1.14). Passagens como essas mostram que, por mais que sejamos irremediavelmente pecadores, jamais podemos nos conformar com nossa pecaminosidade. E que, por mais que a santidade absoluta seja uma utopia, chegar o mais perto possível dela deve ser uma tarefa constante e obsessiva. Estou cansado, exausto de pecar, porque vou ler a Bíblia e encontro todos os dias passagens como: “Porque eu sou o Senhor vosso Deus; portanto santificai-vos, e sede santos, porque eu sou santo” (Lv 11.44a); “Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus” (Lv 20.7); “Como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento” (1 Pe 1.15) “Acordai para a justiça e não pequeis mais; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; digo-o para vergonha vossa” (1 Co 15.34) “Vai-te, e não peques mais” (Jo 8.11b) O risco é nos posicionarmos de tal modo incapazes de vencer nossa natureza que acabamos parando de empreender esforços para não pecar. Quando ficamos exaustos por tentar não pecar mas continuar sempre pecando nos tornamos flácidos, conformados, entregues, apáticos. Entregamos os pontos. E o passo seguinte é parar de buscar a santidade e então jogar sobre a graça de Deus a responsabilidade de tudo. “Sou pecador mesmo, então vamos chutar o balde, contando com a graça de Deus”. Mas a graça de Deus não anula o fato de que a fé sem obras é morta. A graça de Deus não é uma licença para continuarmos pecando. A graça de Deus não deixa de condenar pessoas ao inferno. Quem se conforma com isso corre o risco de acabar tendo sua consciência cauterizada pois, afinal, “não há nada que eu possa fazer contra o pecado”. E aí as desculpas são as mais variadas: o que a Bíblia chama de “santidade” uns chamam de “legalismo”. A própria carne torna-se um inimigo imbatível. O mundo e seu sistema pecaminoso vira uma desculpa excelente para o pecado. E por aí se vai, pecando, pecando, pecando e… bom, o resto deixa com a graça de Deus, já que eu não posso fazer nada mesmo. O fruto do Espirito inclui o domínio proprio. Me pergunto: domínio próprio para quê? A resposta é óbvia: para refrear o nosso impulso pecaminoso – pelo poder de Deus. Deus perdoa. Deus perdoa quantas vezes nos arrependermos. Se pecarmos, temos um advogado junto ao Pai, o Cristo de graça e misericórdia. Mas em nenhum lugar da Bíblia isso nos dá licença para seguirmos pecando sem dor de consciência – e, principalmente, sem mudança de atitude. Nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo. Minha pergunta é: quem está de fato em Cristo? O que faz tudo o que está ao seu alcance para não pecar, mesmo que peque terrivelmente, ou aquele que se conforma por ser pecador e continua pecando e jogando nas costas da graça de Deus sua fraqueza? Estou exausto de tanto pecar. Ao mesmo tempo, sei que é impossível não pecar. Então que Deus me ajude a fazer o impossível. Paz a todos vocês que estão em Cristo. Nome do blog: "APENAS". // Blog APENAS by Maurício Zágari

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