22 novembro 2008

CONFLITOS ENTRE GRUPOS DE LOUVORES E A IGREJA

O que os pastores precisam entender é que, estão em suas mãos tanto as prerrogativas e condução do culto quanto à autoridade para orientar o que vai ser cantado no culto, e de que modo. Há casos, em que o desgaste é tão grande entre o gruposde louvor e o pastor, que não é mais possível o diálogo. Mediante a isso darei alguns conselhos que se seguem:

  1. É necessário reconhecer que já perdemos a batalha há muito tempo, por um, culto simples, espiritual, teocêntrico e equilibrado. O movimento gospel veio pra ficar. Nós perdemos, porque erramos na estratégia ( na verdade acho que nunca tivemos). Há exceções, mas muitas delas são sofríveis, musicalmente falando, com uma teologia fraquíssima sem profundidade nenhuma (“RESTITUI”, “QUERO DE VOLTA O QUE É MEU”) e por ai vai. São cantos recheados da teologia da prosperidade e da batalha espiritual, cheirando o odor podre do neopentecostalismo, trazendo todas as características daquilo que é produzido pelos músicos e cantores gospel da atualidade. Infelizmente não conseguimos oferecer nada melhor desde o início, a não ser apelos para a preservação dos hinos tradicionais de nossa harpa cristã.

  1. Comece solicitando ao grupo de louvor uma relação de todos os cânticos do seu repertório e se comprometa a estar presente em todos os ensaios para estudo bíblico sobre louvor e adoração, propondo-se a analisar a propriedade, a teologia e até mesmo o português desses cânticos( tenho certeza que você vai ficar horrorizado). Nesses encontros, aja humildemente e não autoritariamente. Lembre-se que eles estão acostumados a tocar tudo o que querem sem exercer crítica acerca do que estão cantando. Procure conduzir as discussões para a Bíblia, como referencial último de tudo o que vai ser feito no culto. Leve-os a perceberem por si próprios que determinadas letras são inadequadas e a desistirem delas. Nesse sentido temos como maior aliado o púlpito. Pregue sobre a centralidade de Deus no culto, sobre a necessidade da boa doutrina, sobre o perigo dos falsos ensinamentos, sobre o poder da música para o bem e para o mal e o imperativo de mantermos o culto dentro dos parâmetros bíblicos.

  1. Coloque como regra inflexível – se possível, que todos os participantes dos grupo de louvor também devam estar totalmente integrados na vida da igreja, participando da escola bíblica dominical (se é que a sua igreja tem) ser assíduos no culto e estar freqüentando uma das redes de ensino. Mas importante de tudo, deve ser exposto como condição sine qua non que suas vidas sejam irrepreensíveis, verdadeiro exemplo para os demais jovens da igreja. Insista que eles devem participar do culto todo e que é inaceitável que, após o momento de louvor, saiam e fiquem do lado de fora da igreja. Não abra mão disso.

  1. Procure diminuir o volume com que eles tocam. Não sei por que razão o grupo de louvor têm idéia de que os cânticos têm que ser tocados e cantados com os instrumentos e o vocal no volume máximo. Mas para convencê-los que eles estão tocando e cantando no volume Maximo, traga um especialista com um medidor de decibéis durante os ensaios para medir o nível de ruído. Isso vai mostrar para eles como muita gente se sente incomodados com aquilo, inclusive vizinhos silenciosos que podem até não reclamar na polícia, mas que no íntimo já tomaram a decisão de que jamais se tornarão cristão. Em especial dedique muita atenção ao baterista, procurando convencê-lo de que o alvo da bateria não é fazer barulho, mas marcar o compasso da música de maneira discreta, misturando-se com a melodia, a ponto de se tornar quase imperceptível. Esse provavelmente será seu trabalho mais difícil

  1. Outra tarefa difícil será convencer o guitarrista principal de que o culto não é show e nem os louvores uma oportunidade para solos incríveis de guitarra. Exibições individuais da performance dos instrumentistas apenas chamam a atenção para ele, não para Deus. Como alternativa, sugira uma apresentação musical, num sábado à noite, onde outras bandas poderão ser convidadas para um festival gospel. Lá eles poderão mostrar toda a sua capacidade com a guitarra. Mas, no culto, usem os instrumentos de forma discreta, para acompanhar os cânticos.

  1. Mostre a eles que mandar o povo ficar em pé toda vez que assumirem o microfone nem sempre fica bem. Às vezes o pastor acabou de mandar o povo sentar. Diga que deixem o povo sentado. Não vai prejudicar em nada o louvor se o povo ficar sentado. Além disso, há idosos, grávidas e pesoas doentes que não conseguem ficar 20 minutos em pé. Eles devem pensar também no pregador da noite, que além de ficar em pé durante o tempo do louvor, vai ter de ficar mais uma hora em pé pregando. Não tem quem agüente.

  1. Procure convencê-los a ocupar menos tempo da liturgia. Se conseguir, será uma grande vitória. Uma sugestão que você pode dar nesse sentido é que não repitam o mesmo cântico duas ou três vezes, como costumam fazer. Também, que cortem as “introduções”, geralmente compostas de repetições de clichês e frases batidas que não dizem nada. Se você conseguir convencer o líder do grupo de que a tarefa dele é cantar e não exortar e dar testemunho, irá diminuir bastante o tempo empregado no louvor, além de poupar os ouvidos dos cristãos de ouvir besteiras e chavões que só tomam tempo mesmo.

  1. Outra coisa que me ocorre: insista em que estejam preparados antes do culto. Fica muito feio e distrai o povo quando os componentes do grupo de louvor ficam afinando instrumentos, equalizando o equipamento de som, plugando e desplugando microfones e fios quando o culto já começou. Ensine-os a serem profissionais naquilo que fazem, e que nosso Deus é Deus de ordem.

  1. Procure mostrar que eles não são levitas. Não temos mais levitas hoje. Todo o povo de Deus, cada cristãos em particular, é um levita, um sacerdote, como o Novo Testamento ensina. É uma idéia abominável que os membros do grupo de louvor são levitas. Isso reintroduz o conceito que foi abolido na Reforma protestante de que o louvor e o acesso a Deus são prerrogativas apenas de um grupo de não de todo o povo de Deus. Resista firmemente a essas idéias erradas, que são oriundas das igrejas neopentecostais, especialmente daquelas que se fizeram em cima do movimento de louvor. Tais conceitos apenas servem para que eles se sintam mais especiais do que realmente são e, portanto, intocáveis. Procure incutir na mente deles que aquilo que eles fazem no culto não é mais louvor, nem é mais espiritual que o cântico de hinos acompanhados ao órgão ou ao piano.

  1. Por fim meu amigo ore bastante para que os membros do grupo de louvor não sejam filhos de presbíteros e de famílias influentes da igreja, por que se forem, profetizo que sua missão tem grande chance de fracassar. Por mais cristão e sérios que os presbíteros sejam, é muito difícil que contrariem sua própria família, muito menos seus filhos.Com algumas honrosas exceções, você não terá o apoio deles para reduzir, minimizar, limitar e mesmo qualificar a participação do grupo de louvor. Nesse casos, restarão poucas opções. Uma delas é capitular por completo e deixar o grupo de louvor fazer o que sempre fez, suportando heroicamente, enquanto ora baixinho no culto “Deus, dá-me paciência para que eu possa suportar esse calvário durante o tempo em que estiver por aqui”. Outra opção é pedir as contas e ir para outra igreja.

No mais cara pastor, que você encontre misericórdia da parte de Deus para enfrentar esse desafio e que sua igreja desfrute do verdadeiro louvor durante os cultos.

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